A pornografia: um ícone da sexualidade


A sexualidade faz parte do nosso dia-a-dia. Nos diferentes lugares do mundo ela é explorada em maior ou menor grau, contudo, o excesso de moralismo a transformou em tabu, mas este é um assunto que é necessário contato constante e compreensão (principalmente de quem o vê de modo diferente do nosso).

Nas casas das pessoas, na maioria das cidades aqui do Brasil, o acesso a conteúdo com alta carga de sensualidade é bastante comum. Outro fato é que a narrativa das histórias sensuais e o modelo de representação das cenas sexuais vêm sofrendo fortes alterações nos últimos anos. De clássicos e polêmicas históricas do cinema como o filme “O último tango em Paris” com Marlon Brando e Maria Schneider (1972), até filmes mais recentes e mais explícitos como o não menos polêmico Ninfomaníaca (2013, Lars von Trier) o sexo explícito e “gratuito”, até então restrito a filmes pornográficos vem se tornando palatável a ambientes de grandes públicos, como uma reunião de amigos ou até mesmo na sala de uma casa familiar (tradicional ou não), isso, não sem um certo grau de constrangimento, óbvio.

O profeta Isaías quando do seu chamado foi bem sincero ao se confessar “um homem de lábios impuros, no meio de um povo de impuros lábios...” (Is 6:5). Vejo que se trata um pouco disso nos nossos dias, em relação ao que vemos nas mídias (voluntariamente ou não). Evangélicos, católicos, indivíduos que se considerem tradicionais ou conservadores estão no mesmo barco de exposição a cultura moderna da sensualidade que pessoas liberais ou mesmo as que são consideradas promíscuas.

O ator e humorista Pedro Cardoso expôs aqui há quase 8 anos sua visão sobre o que ele chamou de “pornografia disfarçada de comportamento natural”. Na época, o ator foi chamado de moralista, mas suas palavras reverberaram e encontraram novos espaços nesse ano de 2016 em postagens virais nas redes sociais. Um dos pontos que ele toca e que vão fazer sentido mesmo em ambientes necessariamente progressistas é o da exposição feminina nessas produções. Não quero dizer aqui o que uma mulher pode ou não fazer, mas é claro que a condição ainda de desvantagem feminina na maioria dos setores da sociedade implica que muitas vezes elas tenham pouco poder de escolha sobre o que realmente desejam fazer num set de estúdio em relação ao que lhes é oferecido. Cenas que tenham pouca ou nenhuma “dramaturgia” e que apelem mais para a capacidade do corpo nu feminino atrair audiência é um desrespeito e objetificação das mulheres. Atrizes famosas vão poder dizer “não” a certos trabalhos, mas não é o que vai acontecer com a maioria das mulheres. Esse é um problema real, não parece ter solução num horizonte de tempo próximo, onde discussões sobre progressismo, liberdades individuais e conservadorismo não consigam enxergar pontos em comum...
Paralelo a isso, igrejas cristãs têm como parâmetro a piedade e a moralidade de um padrão sexual e tem sido assim no cristianismo formal de dois mil anos. Embora com obstáculos e com as muitas falhas de cristãos em todas as eras, esse é um dos alicerces das igrejas. Por outro lado, é muito preciso, o controverso Paulo Brabo, em nossa opinião, em um dos seus textos ao afirmar que o sexo na visão de Jesus é nivelador, ou seja, alguém já é pecador por tão somente desejar a mulher do próximo tanto quanto o que adultera, assim vemos que somos nivelados pela vontade a qual meramente podemos controlar e não pelo ato sexual condenável e socialmente abominável que seja eventualmente cometido e, em seguida, descoberto.

Ele segue no seu texto com algo como “(...) se estamos todos nivelados não podem os “castos” julgarem-se melhores que os casados, nem castos e casados julgarem-se melhor do que quem já foi infiel...”. É fundamental ter o padrão de humildade de Cristo para olhar para as pessoas (cristãs ou não) e ter uma capacidade de melhorar nossas relações interpessoais.

Claro, isso não é tudo. O padrão moral ainda é uma bussola. Pondé, o popular filósofo, numa entrevista com Antônio Abujamra aponta como “ainda que a perfeição moral das igrejas cristãs seja um ideal utópico, ela contrasta positivamente com outro ideal permissivo que se perde sem limites e que seja autodestrutivo”.
Na sexualidade a pornografia é um ícone. No livro de Cantares de Salomão há quem interprete muitos de seus versos como altamente eróticos, com fortes sugestões sobre a sexualidade de um casal e que ao ser incluído no cânone bíblico recebe como paralelismo a relação de Deus com Israel e mais tarde de Cristo com a noiva (ou a Igreja). Diante disso parece que a sexualidade nem sempre teve como regra a separação com o prazer na tradição judaico-cristã, mas a sugestão da sexualidade sem um contexto soa como uma fuga da realidade e que como outros tantos ícones são utilizados para se entrepor com o real problema. Um ícone desvirtua a direção do real objeto...

A pornografia tem estado presente nas casas de muitas famílias, aprisionando adolescentes, jovens e em muitos casos até mesmo seus país. Muitos sãos os jovens que vivem um verdadeiro tormento por causa desse ícone da sexualidade, que diariamente os atormenta e contra o qual tentam de todas as formas se livrar. Sentem-se com algemas que lhes aprisionam. Quando procuram ajuda são diversas as opiniões que ouvem, lhes trazendo mais confusão para suas vidas. Há um apelo midiático que diz que a pornografia é uma experimentação benéfica para o jovem. É tão comum quanto dizerem que é importante para a saúde sexual dos casais consumir pornografia.

A pornografia não é um problema exclusivo do universo cristão, nem uma fraqueza temporal de jovens e adolescentes, muito menos é algo particular do mundo masculino. Na verdade a pornografia está presente em todas as esferas da sociedade. Infelizmente, solteiros, casados, membros de igrejas, pastores, homens, mulheres, jovens, idosos e até mesmo crianças antes mesmo de chegarem a adolescência têm tido contato com a pornografia. Do contato inicial passam para o vício: o deslumbramento pelo ícone.

Muitos dos que sofrem em função de frustrações reais com a pornografia, chegam a tomar decisões extremas para tentar livrar-se desse envolvimento e adição, chegando ao ponto de quebrarem aparelhos de computador, isolando-se de tudo e de todos e também tantos outros chegam a tentar suicídio diante de tamanho sofrimento psicológico.

Dos que vivem alimentando-se da pornografia, muitos vivem uma vida dupla e esse estilo de vida lhes causa muitos transtornos, a tal ponto que há quem encontre prazer sexual com seu parceiro apenas com o consumo ao mesmo tempo de cenas pornográficas e seus fetiches. Acreditamos que é desnecessário nesse momento refletir dos milhões investidos com a indústria pornográfica, nem mesmo dos dilemas que atores e atrizes vivem nos bastidores desse segmento.

A pergunta básica dos que sofrem com o vício fazem é: “como me livrar disso?”. A resposta está antes do consultório de um psicólogo e até mesmo antes das terapias medicamentosas indicadas por psiquiatras. A consulta à Palavra de Deus é que revela esse ícone como pecado, como obra da carne e tais coisas só podem ser superadas com o auxílio do Espírito Santo.

Como queremos vencer o maligno se vivemos uma vida espiritual relapsa, se dificilmente oramos e lemos a palavra de Deus? Na verdade, somos ou nos tornamos presas fáceis dos laços do diabo. Passamos muito tempo entretidos nas mídias que nos rodeiam. TVs, computadores, Smartfones e videogames nos alienam também da nossa realidade como responsáveis e comissionados das virtudes de um relacionamento diário com Cristo e parte relevante do ministério evangelístico desse mundo. Como queremos vencer o maligno e os ícones que nos rodeiam e impedem nossa visão do real?

Vivemos numa sociedade contemporânea sobretudo imagética. A todo momento estamos sendo atacados com imagens de mulheres e homens nus e seus apelos à nossa sexualidade. Parece ser um grande problema a banalização da sexualidade. Mesmo diante do constrangimento inicial de se assistir de uma cena explícita de sexo, normalmente, adultos e crianças não irão refletir, nem discutir e desmitificar tal situação.

O caminho para vencer a pornografia como ícone passa por adotar uma visão de mundo daquele Cristo nivelador do sexo. Como um cristão normal e persistente há, basicamente, três coisas diárias necessariamente a se adotar: leitura da palavra, oração e jejum. Não, não há nada de novo que trazemos...
Se diariamente lermos a palavra, nossa mente será inundada com as verdades de Deus e passaremos a ocupá-la com o que é saudável. É a repetição causando mudança e criando em nós uma segunda natureza.

Vocês já estão limpos, pela palavra que lhes tenho falado.” (Jo 15:3)



“Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas.” (Fp 4:8)


Também, a oração diária, é algo que devemos praticar, afinal, dessa forma tornamos nossas necessidades conhecidas a Deus, sem contar que estreitamos nossa relação com Cristo.


Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus.” (Fp 4:6)


E o jejum passa a ser além de um sacrifício espiritual, uma ação que nos ensina a resistirmos nossos desejos mais primitivos, pelo fato de suportarmos a fome. Temos como exemplo o próprio Cristo.


Depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome.” (Mt 4:2)


Dessa forma, fica a experiência de Cristo como modelo que mediante a constante reflexão bíblica, oração diária e jejum, pelas quais estas como práticas de aperfeiçoamento, aplicação particular e pessoal, foram os meios com as quais superou qualquer ícone. É necessário contextualizar esse tema como uma guerra espiritual, o qual com armas espirituais se supera. A Paulo é creditado o texto da carta aos coríntios que diz que num certo tempo admitia a si mesmo fazer coisas de meninos, mas tão logo adulto se tornasse, deixaria as inconsequências daquela fase (1 Co 13:11). Nas falas de Jesus nos evangelhos, a todos quanto salvou das mazelas sociais por crimes ou descumprimento de regras ligadas à sexualidade, ainda que sem condenação, seu apelo sempre foi para a não reincidência destes erros cometidos. Que Jesus nos abrace e ajude, lembrando das nossas próprias limitações e que lembremos também das limitações do próximo. Finalmente, que não haja ícones que nos impeçam de ver o real: a glória de Deus em sua criação.

Cleiton Alves e Oséias Feitosa-Junior colaboram e escrevem para o blog Cristo Urbano.


Este texto, como os das demais colunas opinativas do blog, é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente o ponto de vista dos demais colunistas ou do cristourbano.com.br.

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