O poder na humildade: uma provocação do contraditório



Quando alguém não consegue explicar muito bem algum conceito, dá-se a ele o nome de 'metafísica', 'simpatia', 'poesia', 'hoje não, (Rodrigo) Faro!', entre outros termos genéricos. O que é a vida com Cristo no caos da cidade?

Vou chamar de arte. 

Assim, fica mais fácil de dizer que é um jeito de ver e de fazer e de ser livre sem se esquecer que a obra tem um significado, das múltiplas interpretações que hão de vir, e da finalidade estética de suas ações ( "pinceladas").

Quero plantar uma semente, uma metáfora, que a sua própria intuição de mundo fará brotar conhecimento. A ideia é que temos em nós mesmos as soluções e a força para enfrentar os problemas do dia-a-dia, ao mesmo tempo em que elegantemente me esquivo da responsabilidade de uma resposta para uma pergunta difícil dessas. O que é a caminhada com Cristo no meio dessa confusão toda? Eu não sei. O que é pra mim pode ser outra coisa para os outros autores deste blog, ou para o pastor de sua igreja. Cada um tem um pouco de razão no que fala, trazendo consigo mesmo toques de experiência pessoal que, às vezes, não se identificam muito com as suas.

Só desse fato e divergências já dá para tirar algum proveito. A vida cristã, urbana, rural, litorânea ou espacial, é contraditória consigo mesma. E não se preocupe com isso, está tudo bem! É pra isso mesmo que ela ta aí. Se fosse pra gente ceder a todos os nossos impulsos e desejos, vontades e aflições, não teríamos em nós mesmos essa intrínseca preocupação com a ética e moralidade de nosso próprio pensamento (perceba a pessoalidade de nossas dúvidas e como isso ainda assim nos tira o sono). O contraditório tá aí, sempre esteve e sempre estará, não tem jeito. A Bíblia é contraditória - sim, contraditória -, e isso é bom, nos ensina a dançar frente a este caos todo de nossas dúvidas e corrupções.

Às vezes, penso que é mais fácil e bem mais simples viver de acordo com os ensinamentos de Cristo do que imaginamos, de certo que, ao nos propormos coisas novas para as nossas vidas, por vezes, e por ego talvez, esquecemos dos ensinamentos mais simples e fundamentais das escolinhas dominicais das crianças, dos conselhos simples e kantianos de nossos pais: não fazer pro outro o que não quiser que te façam, ser gentil, educado, respeitar, dar a outra face quando alguém lhe desferir um soco na cara... Ser humilde [Vocês já viram aquele programa da TV Cultura chamado Provocações? Já repararam que o finado apresentador entrevista a "nata" intelectual brasileira? E que a última pergunta, para todos eles, sempre é "o que é a vida?", e como todos eles hesitam na resposta? Pois é... estamos todos na mesma], afinal, não levaremos nenhum tesouro deste mundo, nem aquela intriga com seu colega de escritório, ou aquela discussão no trânsito em que você estava certo (e a outra pessoa também). Nada disso ficará. Sabe o que fica? A sua atitude totalmente inesperada de perdoar teu devedor, abraçar teu agressor, ceder seu ombro para seu colega chorar, amar teus inimigos... 
Um profissional bem sucedido faz muito bem o serviço que todos fazem, mas é só aquele que faz algo inovador que se destaca. Leve essa frase de efeito na sua caminhada com Cristo, em suas ações diárias, atitudes para com teu próximo ou distante, conhecido ou não.
Quer ser bem interpretado? Vá na contramão do que todo mundo já faz; das impulsões. Seja "imoral" nesse sentido: quem leva um soco e oferece a outra face? O Salmista já dizia: "Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas não chegará a ti".
Isso é propositalmente artístico: olha a brecha que você abriu e explorou nos costumes das pessoas. De relance haverá quem te critique, "porque era pra você ter revidado e estava no seu direito de defesa" e isso era certo e agora já não mais; haverá quem goste (vai que é aquele ou aquela crush). Todos, no entanto, compartilharão daquela memória em seus travesseiros na hora de dormir e isso é ótimo! Rolou um princípio de autocrítica.

Seja você cristão ou não, Übermensch ou niilista, não importa quantos autores mega difíceis e intelectuais tu tenhas lido [eu acredito que bem lá no fundo, o que todos eles tentam fazer é corrigir e explicar nossa inerente "agressividade" para com tudo aquilo que nos tolhe o orgulho. Jesus meio que não ligou muito para isso, sabe, tanto que tipo assim, até morreu por nós e pá... E você aí bravo brigando por coisas tão pequenas e passageiras, mundanas e isso se acumula a toa...], quero te trazer da mensagem de Cristo para nós da cidade grande, preocupados com poder e influência: a humildade e o sacrifício vivo diário de Jesus (eu mesmo vou ler essa parte mais algumas vezes hehe).

E não esqueça: o reconhecimento do artista é sempre póstumo.


Gabriel Heringer Lisboa é estudante de matemática da Universidade de São Paulo e topou escrever para o blog Cristo Urbano essa semana.


Este texto, como os das demais colunas opinativas do blog, é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente o ponto de vista dos demais colunistas ou do cristourbano.com.br.

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