Desabafo de uma cristã sobre o feminismo

(Scene from the 1967 landmark Royal Commission on the Status of Women/google images)



Hoje é o dia internacional da mulher. Essa data que surgiu de um contexto de lutas das mulheres por melhores condições de vida, trabalho e direito ao voto no começo do século XX. Ou seja, foi criada a partir dos movimentos feministas. Hoje, muitas militantes criticam essa data porque virou sinônimo de presentear mulheres com flores e chocolates e o real motivo dela ter sido criada não é debatido.

Mas qual deve ser meu posicionamento como mulher cristã, frente a uma data comemorativa feminista? Confesso que não sei.
Eu tenho bastante dificuldade de me posicionar ou me intitular como “feminista” e vou desabafar com vocês, caros leitores.

Sou feminista se isso quer dizer que mulheres e homens devem ter mesmas oportunidades de carreira e de estudo. Vou dizer que precisamos do feminismo porque sofremos assédios diariamente. Vou dizer que sou feminista se isso significar que sou contra a violência contra a mulher. Acho que a mulher não é respeitada em muitos lugares, temos (pelo menos eu tenho) um medo quase que constante de sermos violentadas, caminhamos mais rápido a noite e vou orando o caminho inteiro pedindo para que nada me aconteça. Então, sou feminista. Mas, eu acredito que Deus criou o homem e a mulher com o mesmo valor perante ele. Os dois igualmente criados a imagem e semelhança de Deus.  E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” Gn. 1:27

Não sou feminista se isso quer dizer não concordar com o que a bíblia diz sobre a questão da submissão e dos papéis que Deus deu para o homem e para a mulher. Efésios 5:22-33 fala sobre isso. Acredito que essa questão é uma via de mão dupla: a mulher é submissa e auxiliadora e o homem tem o papel de líder de amar e respeitar sua mulher. Ah, e essa submissão não é cega. A mulher discute com o marido os problemas do casal, o ajuda a chegar numa solução e ora para que Deus o capacite a tomar a melhor decisão para os dois.

Além disso, do que conheço sobre o movimento, meu ponto de vista sobre o aborto vai de encontro com o que é defendido, já que é básico uma mulher decidir o que fazer com seu próprio corpo e eu tenho bastante dificuldade em relação à “é básico a mulher decidir o que fazer com seu próprio corpo”. Principalmente quando a mulher é cristã “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” 1 Co 6:19.

Eu entendo que é importante que cristãos se envolvam nas discussões políticas. Considero importante que as mulheres cristãs participem dos debates. Eu, particularmente, tento participar e acompanhar discussões, entender os argumentos apresentados. Mas como mulher cristã, tenho muita dificuldade de me posicionar. Tenho dificuldade de me posicionar como militante de um movimento que vai contra muitos ensinamentos bíblicos, mas ao mesmo tempo não quero ser considerada machista, porque afinal esse é o outro extremo – a falta de amor e de respeito. Também são ordens de Deus que o homem ame sua mulher como Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela. Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela”,Ef. 5:25

Simplificando bem a questão, penso que a origem de toda essa discussão está na queda do homem. O pecado está enraizado no coração do ser humano.

E na verdade esse meu texto de desabafo/confissão foi escrito com a ideia de abrir um espaço para debate. Quero saber de você, leitora, como você se posiciona? Quais são os seus argumentos? Como você explica essa questão para uma sociedade que não quer saber de Deus?

Ingrid Nielsen é membro da Igreja Batista de Atibaia (PIBA), cursa Relações Públicas na Faculdade Cásper Líbero e aceitou escrever para o blog Cristo Urbano no dia internacional da mulher.


Este texto, como os das demais colunas opinativas do blog, é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente o ponto de vista dos demais colunistas ou do cristourbano.com.br.

Um comentário:

  1. Seu texto é muito interessante. Posso lhe dizer que já tive essas dúvidas, mas com o tempo descobrir que precisava me posicionar, pois acho que não existe essa de ser feminista em alguns pontos e não ser em outros.
    Quando você diz que é feminista porque concorda com a luta pela igualdade, pelo respeito, pela não violência, acontece pelo fato de você ser mulher e jamais nenhuma mulher concordou com isso. Antes mesmo do feminismo ganhar um nome a Bíblia já retratou que tudo isso sempre foi a vontade de Deus, é a vontade Dele que todas as mulheres sejam amadas pelos seus maridos, é da vontade Dele que nenhuma sofra algum tipo de violência...
    É a vontade do movimento feminista? Sim! Mas mulheres que iniciaram este movimento não conheceram a verdade a luz de Deus e não se encontraram com homens de Deus, não entendendo, portanto, que a feminilidade é um presente de Deus, que homens e mulheres são iguais diante de Deus, que possuem papeis diferentes e complementares. Aprendi que é unicamente por causa do pecado que homens e mulheres são oprimidos e vivem nessa desunião evidente.
    O movimento feminista traz consigo conceitos que vão contra a Palavra de Deus e por isso não dar pra ser os dois. Não ser feminista não nos torna machistas.
    Lhe recomento o livro "Feminilidade Radical", de Carolyn McCulley, Editora Fiel. É excelente e com certeza lhe ajudará, assim como me ajudou. Espero ter contribuído com as suas perguntas. :)

    ResponderExcluir