É ter com quem nos mata, lealdade

(Jez Timms/Unsplash: high resolution free images)


Não sabe o que é o amor aquele que o limita a um sentimento. Não conheceu o amor aquele que atribui culpa ao amor pelo fracasso de seus relacionamentos. Não viveu o amor aquele que o abandonou na primeira decepção. Não. O amor não é isso. O amor é grandioso.

Temos muitas dificuldades em definir o amor. Isso acontece porque tentamos, de modo falho, explicar às nossas vistas algo que é divino. À perspectiva da Escritura Sagrada entendemos que o amor não é um sentimento, e sim um verbo. Ele é sofredor, benigno, se alegra na verdade, tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta, jamais acaba. Essas características nos lembram alguém: Jesus Cristo. Também vemos na Bíblia algumas atribuições que o amor não possui. Ele não é invejoso, não se vangloria, não se ensoberbece, não é inconveniente, nem egoísta ou irritável, não suspeita do mal, não se alegra na injustiça e, definitivamente, não é mau.

O nosso problema é não conhecer o amor, e chamar outros sentimentos pelo seu nome. Isso acontece frequentemente com a paixão, por exemplo. Temos o mau costume de chamar de amor a paixão. Quando ela acaba dizemos que o amor acabou. Mas a paixão tem fim, o amor não. A paixão é arrebatadora. Por ela você emprega todos os esforços para ter alguém ou algo, simplesmente porque você sente essa necessidade. Quantas vezes ouvimos a frase “eu preciso de você”? A paixão é sobre você e não sobre o outro. Já o amor é renúncia! Você emprega todos os esforços para ver a outra pessoa feliz, mesmo que não seja com você. Você entregaria sua própria vida pela felicidade de quem você ama. Mais uma vez Cristo é o exemplo perfeito.

Quando sofremos uma desilusão tendemos a culpar o amor que sentimos. Perdi a conta de quantas vezes ouvi alguém dizer “não quero mais saber de amor”. Precisamos aprender com Jesus. O seu amor não acabou na primeira decepção que Ele teve com a humanidade. Até hoje o ferimos com nossas atitudes e pensamentos e Ele continua a nos amar. Camões diz que o amor “é ter com quem nos mata, lealdade”. O sentido dessa frase está no amor incondicional. Matamos Jesus, e Ele continua a nos amar! Isso pode nos levar a repensar nossa relação com o verdadeiro amor e nossos relacionamentos com as pessoas. Será que desistimos na primeira dor? Quando somos feridos, o nosso ego e o orgulho fazem todo o encanto, a paixão e o sentimento morrerem. Se nos permitirmos amar, perceberemos que ele nos fortalece e ajuda a não apenas superar as desilusões, mas também nos cura as feridas da alma.

Por nos amar Ele morreu, mas a dor desse amor trouxe a glória e a redenção. O amor foi a nossa salvação. Ele nos tira de um lugar obscuro, sem vida, sem sentido, e nos coloca no centro do propósito de Deus. O Teólogo Laion Monteiro disse uma vez que “Matamos o amor e depois dizemos que ele não existe”. Isso mostra como nossa percepção distorcida nos afasta da verdade. Precisamos conhecer o verdadeiro amor. O amor não ficou pregado na cruz. É preciso deixar ele nos transformar.

Jaque Santtos colabora e escreve para o blog Cristo Urbano.


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Um comentário:

  1. O que ama ampara aquele que o desampara e enxerga qualidades onde se vê imperfeições. Nelson Lucas

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